Projeto da Uniube Uberlândia fortalece educação em saúde e combate estigma da hanseníase na cidade
Um projeto de intervenção desenvolvido no âmbito do Doutorado Profissional em Educação da Uniube Uberlândia destacou a educação em saúde como estratégia fundamental para a prevenção, detecção precoce e enfrentamento do estigma relacionado à hanseníase. A ação foi realizada no segundo semestre de 2025, no Centro de Referência Nacional em Hanseníase/Dermatologia Sanitária (CREDESH), em Uberlândia, pelas doutorandas Ana Cristina Rocha Inacio e Laysa de Oliveira Souza Leão, com a participação da enfermeira do CREDESH, Dulcinéa de Oliveira Bernardes de Souza, sob orientação das professoras Gercina Santana Novais e Tiago Zanquêta de Souza.
Intitulado "Educação em Saúde como Eixo de Prevenção e Detecção Precoce da Hanseníase em Famílias: uma abordagem no Centro de Referência em Hanseníase em Uberlândia", o projeto está vinculada à Rede Cooperativa de Intervenção Ensino, Pesquisa e Extensão em Escolas de Educação Básica (RECEPE), criada pela Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão (PROPEPE). A proposta surgiu a partir das vivências profissionais da aluna Laysa, do diálogo com a equipe multiprofissional do CREDESH e do reconhecimento da importância da educação em saúde como ferramenta de transformação social.
O projeto teve como foco pacientes em tratamento ou que já trataram hanseníase, bem como seus familiares, buscando promover o diálogo, reduzir o preconceito, fortalecer o apoio mútuo e identificar necessidades relacionadas ao acompanhamento da doença. De acordo com as doutorandas, a hanseníase, embora tenha tratamento e cura, ainda é marcada pelo estigma social e pode causar incapacidades físicas quando não diagnosticada precocemente, o que reforça a importância da vigilância de contatos familiares e da educação em saúde.
As ações foram desenvolvidas por meio da metodologia das Rodas de Conversa, que privilegia a escuta, o diálogo e a construção coletiva do conhecimento. As discussões abordaram temas como sinais e sintomas da hanseníase, formas de transmissão, importância do acompanhamento familiar, vacinação, cuidados com a pele, mãos e pés, além dos impactos do preconceito na vida dos pacientes. A intervenção ocorreu em cinco momentos sequenciais, incluindo a exibição de um filme educativo do Ministério da Saúde e a aplicação de um quiz para avaliação da aprendizagem.
Os resultados foram avaliados de forma positiva tanto pela equipe quanto pelos participantes, que relataram ter se sentido ouvidos, acolhidos e valorizados. Um dos depoimentos destacou a ampliação da consciência sobre a importância do acompanhamento anual e da realização dos exames de rotina, evidenciando que, mesmo entre usuários frequentes do serviço de saúde, ainda há lacunas de informação sobre a doença.
Para as Doutorantes, além do impacto junto aos participantes, a experiência contribuiu significativamente para a formação pessoal e profissional delas, ao possibilitar o contato direto com as vivências de uma população historicamente silenciada pelo medo da discriminação. O coordenador da Pós-graduação da Uniube Uberlândia, professor Doutor Cilson Fagiani, a pesquisa reforça o papel do educador, por meio do doutorado profissional, na articulação entre ensino, pesquisa e extensão, em ações colaborativas e socialmente comprometidas.
Gabriela Costa | Uniube Uberlândia