Luta Antimanicomial destaca importância do acolhimento em saúde mental
Raíssa Nascimento
O Dia Nacional da Luta Antimanicomial, lembrado em 18 de maio, propõe uma reflexão sobre as formas de cuidado em saúde mental no Brasil. A data reforça discussões sobre acolhimento, dignidade, respeito aos direitos das pessoas e suas individualidades, e a importância de tratamentos que preservem os vínculos sociais e familiares.
O tema ganha ainda mais relevância diante do cenário atual da saúde mental no país. Em 2024, o Brasil registrou aumento de 67% nos afastamentos do trabalho relacionados a transtornos mentais, como ansiedade, depressão e burnout, evidenciando a necessidade de ampliar o debate e fortalecer a rede de apoio e assistência.
Você sabia que o cuidado em saúde mental vai muito além do isolamento?
Segundo o psiquiatra do Instituto Maria Modesto, Mateus Nóbrega, a luta antimanicomial é um movimento social que defende a democratização do acesso ao tratamento, priorizando o acompanhamento em rede e a inclusão social.
"A luta antimanicomial propõe a substituição dos antigos hospitais psiquiátricos por uma rede de cuidado que inclui o paciente na sociedade. Isso se tornou possível principalmente a partir do avanço das medicações psiquiátricas na década de 1950", explica o especialista.
O médico ressalta que o cuidado em liberdade busca preservar aspectos importantes da vida do indivíduo durante o tratamento. "O isolamento afasta o indivíduo de sua família, do trabalho e da comunidade. O cuidado em liberdade preserva a dignidade, a autonomia e os laços afetivos, que são essenciais para a recuperação", afirma. Atualmente, a rede de atenção à saúde mental conta com serviços como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), residências terapêuticas e acompanhamento ambulatorial.
"São espaços abertos onde a pessoa recebe acompanhamento médico e psicossocial sem perder o contato com o mundo ao seu redor", completa o psiquiatra. Além do acompanhamento profissional, o especialista destaca a importância do combate ao preconceito relacionado aos transtornos mentais.
"O primeiro passo é falar sobre o assunto sem tabus e apoiar a inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho e na vida comunitária. O preconceito adoece; o acolhimento cura", pontua.
Referência em saúde mental com foco no cuidado contínuo
Com 93 anos de atuação em Uberaba e região, o Instituto Maria Modesto (IMM) é referência em tratamentos psiquiátricos no interior de Minas Gerais. Atualmente, é o único estabelecimento de saúde do interior do Estado habilitado para internação integral em Psiquiatria pelo SUS, atendendo mais de 80 municípios.
Ao longo dos anos, a instituição tem buscado ampliar as formas de cuidado em saúde mental, acompanhando a evolução dos modelos de assistência e fortalecendo estratégias voltadas à reinserção social dos pacientes. Nesse contexto, a gestão implantou o ambulatório psiquiátrico, serviço que permite o acompanhamento especializado sem necessidade de internação, contribuindo para que o paciente mantenha seus vínculos familiares, sociais e comunitários durante o tratamento.
O serviço de internação é voltado para pacientes com indicação de hospitalização psiquiátrica, especialmente em situações de crises graves, risco à vida do paciente ou de terceiros, além de casos que demandam suporte intensivo diante de transtornos psiquiátricos descompensados.
Além da assistência médica e de enfermagem, o Instituto oferece diariamente terapia ocupacional, educação física, grupos de aconselhamento psicológico, grupos de direitos humanos e sociais, além de atividades de preparação para alta hospitalar.
"Saúde mental se constrói com respeito e informação. Procurar ajuda é fundamental, e ampliar esse diálogo também faz parte do cuidado", finaliza o psiquiatra.