Janeiro Branco: um convite ao autocuidado e à reflexão emocional | Acontece na Uniube

Janeiro Branco: um convite ao autocuidado e à reflexão emocional

28 de janeiro de 25
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Um novo ano traz com ele a oportunidade de reavaliar hábitos, objetivos e cuidar daquilo que muitas vezes é deixado de lado: a saúde mental e emocional. É com esse propósito que surgiu o Janeiro Branco, uma campanha que convida todos a refletirem sobre o papel das emoções e a importância de cuidar da mente com a mesma dedicação que cuidamos do corpo. 


Criada em 2014 por profissionais da área, a iniciativa busca promover a conscientização e reforça que o pedido de ajuda não é sinal de fraqueza, mas sim um gesto de coragem e autocuidado. 


A médica e residente de psiquiatria do Instituto Maria Modesto, Karen Mundim D'Alessandro, destacou o diferencial da campanha e orientou sobre práticas que ajudam na prevenção e tratamento de transtornos mentais. 


O que é a campanha Janeiro Branco e qual o objetivo?


Karen Mundim D'Alessandro: O Janeiro Branco é uma campanha que promove a conscientização sobre a saúde mental, e busca quebrar estigmas e incentivar as pessoas a cuidarem do bem-estar emocional. O objetivo é criar um espaço de reflexão sobre a importância do tema e garantir que as pessoas se sintam mais à vontade para buscar ajuda quando necessário.


Por que o tema ainda enfrenta tanto preconceito e estigma na sociedade?


Karen Mundim D'Alessandro: A saúde mental ainda é um tema cercado de preconceito porque, historicamente, os transtornos mentais foram vistos de forma negativa e associada à fraqueza ou incapacidade. Muitas pessoas ainda não entendem que questões como ansiedade, depressão e outros problemas emocionais são tão sérios quanto doenças físicas, e isso dificulta o processo de aceitação e a busca por ajuda. 


Quais os principais desafios enfrentados pelas pessoas em relação à saúde mental nos dias de hoje?


Karen Mundim D'Alessandro: Os desafios incluem o aumento do estresse, as pressões sociais, a sobrecarga de informações e a falta de tempo para cuidar de si. Além disso, muitas pessoas enfrentam dificuldades no acesso a tratamento adequado devido a questões econômicas e culturais.


Quais são os sinais de que alguém precisa de ajuda psicológica ou psiquiátrica?


Karen Mundim D'Alessandro: Alguns sinais incluem isolamento social, tristeza, falta de interesse por atividades antes prazerosas, alterações no sono e apetite, dificuldades de concentração e sentimentos de desesperança. Quando esses sintomas persistem, é essencial procurar ajuda de profissionais qualificados.


Quais são as melhores práticas para cuidar da saúde mental e emocional no dia a dia?


Karen Mundim D'Alessandro: O básico bem feito. Práticas como ter uma rotina equilibrada de sono, alimentação e exercício físico, são os pilares de qualquer tratamento. É importante também, reservar tempo para atividades que tragam prazer e relaxamento. A terapia é uma ótima forma de aprender a lidar com as emoções de forma saudável.


Quais são os maiores desafios no acesso ao tratamento de saúde mental no Brasil?


Karen Mundim D'Alessandro: O Brasil enfrenta desafios como a escassez de profissionais qualificados  e o custo elevado de tratamentos privados. Além disso, ainda existe uma falta de estrutura e apoio no sistema público de saúde, o que dificulta o acesso ao tratamento adequado para muitas pessoas.O estigma associado às doenças mentais também agrava ainda mais a situação. 


Qual o papel do IMM nessa causa? 


Karen Mundim D'Alessandro: O Instituto Maria Modesto oferece suporte completo em tratamentos psiquiátricos e psicológicos para pacientes de Uberaba e região. A estrutura inclui internação para casos agudos e consultas ambulatoriais pelo SUS. Além disso, o instituto realiza ações educativas e de conscientização, com o objetivo de reduzir estigmas, ampliar a compreensão e facilitar o acesso ao cuidado.


Que mensagem você deixaria para quem sente que está precisando de ajuda, mas ainda tem receio de buscar apoio?


Karen Mundim D'Alessandro: Procurar ajuda não é sinal de fraqueza, mas de coragem. Todos enfrentamos dificuldades emocionais em algum momento, e a saúde mental merece o mesmo cuidado que a saúde física. Há profissionais capacitados prontos para ajudar. Você não está sozinho nessa jornada.


Como o Janeiro Branco pode inspirar mudanças para o restante do ano?


Karen Mundim D'Alessandro: O Janeiro Branco é um ponto de partida para criar uma cultura de prevenção e cuidado com a saúde mental. Ele destaca a importância de hábitos saudáveis, chama a atenção para a necessidade de fortalecer políticas públicas e promove o acesso a serviços de saúde emocional. Essa é uma oportunidade de transformar a saúde mental em prioridade ao longo do ano.




Pâmela Rita