Ex-aluna da Uniube transforma conhecimento em solidariedade durante missão odontológica na África | Acontece na Uniube

Ex-aluna da Uniube transforma conhecimento em solidariedade durante missão odontológica na África

29 de outubro de 26
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Ex-aluna da Universidade e coordenadora da Odontologia digital da Policlínica da Uniube, Ana Cláudia participou de uma ação que beneficiou cerca de 1.200 crianças na Angola


Em meio a encontros, desafios e experiências que ficarão para sempre na memória, a cirurgiã-dentista e coordenadora da Odontologia digital da Policlínica da Uniube, Ana Cláudia Silva, retornou de uma missão humanitária em Angola, na África, com uma nova perspectiva sobre o cuidado com o próximo. 


Selecionada entre cerca de 10 mil inscritos para participar da iniciativa promovida pela organização Zuzu for África, Ana integrou uma missão realizada em outubro, na província do Bengo, que reuniu voluntários das áreas de Medicina, Enfermagem e Odontologia. A profissional fez parte da equipe responsável pela triagem de aproximadamente 1.200 crianças de uma escola vinculada à organização. Antes do início dos atendimentos, porém, os primeiros dias foram dedicados à distribuição de alimentos e ao contato com a comunidade. 


"Uma das coisas que mais me marcou foi a quantidade de crianças que nos pediam água. Muitas vezes, precisei engolir o choro e continuar o meu caminho, mesmo com o coração partido. Eu também costumava levar bolachinhas na minha pochete e, quando conseguia, entregava algumas. Mas era muito doloroso saber que tantas outras crianças continuariam sem receber. Essas situações me fizeram perceber que a missão me colocaria diante de questões que ultrapassavam a nossa profissão e a nossa capacidade individual de ajudar", relembra. 


Durante a missão, a equipe odontológica realizou triagens, aplicação tópica de flúor, escovação supervisionada e orientações de saúde bucal. Os procedimentos clínicos ficaram sob a responsabilidade de médicos-dentistas angolanos, conforme as exigências legais do país. Um aplicativo integrado ao sistema da escola permitiu registrar as condições de saúde das crianças e organizar futuros acompanhamentos. 


Ana recorda em especial do atendimento a uma criança que apresentava sinais de fragilidade física e pouca interação. Ao examinar a boca dela, a dentista encontrou uma dentição saudável, sem cáries ou placa bacteriana.


"Naquele momento, percebi que aquela criança estava faminta. Aquilo me fez refletir: uma criança não é apenas a saúde bucal dela. Precisamos olhar para o contexto em que ela vive, porque, por trás de dentes aparentemente perfeitos, podem existir necessidades muito maiores", relata. 


Outra lembrança marcante foi quando uma criança pediu para ser filmada e ficou encantada ao ver o próprio rosto na tela do celular. Ao perceber que muitas delas não tinham familiaridade com a própria imagem refletida, a equipe providenciou um espelho. 


"Ver aquelas crianças sorrindo foi emocionante. Algo tão simples para nós se tornou um momento inesquecível para elas", conta. 


Em outro atendimento, ao perguntar se uma criança tinha escova de dentes em casa, Ana descobriu que ela utilizava o próprio dedo e sabão de lavar roupas para fazer a higiene bucal. A situação reforçou a importância de considerar as condições de vida dos pacientes antes de orientar os cuidados com a saúde. 


"Não adianta falarmos sobre escovação e higiene bucal sem considerar se aquela criança tem uma escova em casa, acesso à água ou até mesmo alimento. Precisamos entender a realidade de cada uma para oferecer um cuidado que faça sentido para ela". 


Da formação na Uniube ao compromisso social 


Formada em Odontologia pela Uniube em 2024, Ana é mestranda em Clínica Odontológica Integrada e coordenadora da Odontologia Digital da Policlínica da Universidade. A trajetória dela é marcada pelo envolvimento em projetos sociais, motivado também pelas dificuldades de acesso à saúde que vivenciou durante a infância em uma comunidade rural. 


Em Uberaba, ela participa do projeto "Sorriso Além do Olhar", que reúne cerca de 70 cirurgiões-dentistas voluntários em atendimentos a crianças do Instituto dos Cegos. Ana também desenvolve o projeto "Sorriso que Volta para Casa", voltado às crianças da comunidade rural onde viveu até os 17 anos, no município de Sacramento. 


Após retornar de Angola, a professora afirma que pretende compartilhar os aprendizados com os acadêmicos da Uniube e incentivar a participação em ações voluntárias. 


"Recebi mensagens de vários alunos que acompanharam minha viagem, alguns disseram que também sonham em participar de uma missão humanitária. Fiquei muito feliz em perceber que minha experiência despertou em outras pessoas essa vontade de ajudar, acolher e compreender as necessidades do próximo. Acredito que essa vivência não terminou quando voltei para o Brasil. Ela continua em mim, nas escolhas que faço, nos projetos em que me envolvo e na vontade de ajudar. Quero levar a Odontologia a lugares onde ela é necessária, mas, acima de tudo, quero promover ações de humanidade, cuidado e amor às pessoas", conclui. 


Pâmela Rita