Educação inclusiva avança, mas desafios estruturais ainda impactam alunos com TEA | Acontece na Uniube

Educação inclusiva avança, mas desafios estruturais ainda impactam alunos com TEA

16 de abril de 26
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Raíssa Nascimento


A educação inclusiva é um direito garantido no Brasil por legislações como a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015). Estudos na área da pedagogia indicam que adaptações no ambiente escolar, formação docente continuada e metodologias inclusivas contribuem diretamente para o desenvolvimento social e cognitivo de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), além de favorecerem a participação e o engajamento em sala de aula .


Durante o Abril Azul, mês de conscientização sobre o autismo, a pedagoga da Uniube, Lúcia Junqueira, chama atenção para os desafios ainda presentes no cotidiano escolar. Segundo ela, a inclusão de estudantes com TEA exige mais do que o acesso à escola. "Ainda há uma lacuna importante na formação dos professores para lidar com as demandas específicas do autismo, o que pode gerar insegurança na prática pedagógica", afirma.


De acordo com a especialista, um dos principais entraves está nas condições estruturais das instituições. "Turmas numerosas, excesso de estímulos no ambiente e ausência de apoio especializado impactam diretamente o processo de inclusão", explica. Para Lúcia Junqueira, o foco deve estar na reorganização das práticas pedagógicas. "O desafio não está no aluno, mas na necessidade de adaptação da escola para garantir uma inclusão efetiva", pontua. 


No campo das estratégias de ensino, evidências científicas apontam que práticas estruturadas e previsíveis favorecem a aprendizagem de alunos com TEA, especialmente quando associadas a recursos visuais e organização do ambiente . A pedagoga destaca o uso dessas ferramentas no cotidiano escolar. "Quadros com a sequência das atividades ajudam o aluno a compreender a rotina e trazem mais segurança", explica.


Outra abordagem relevante é o uso de materiais concretos e atividades lúdicas, que auxiliam na construção do conhecimento. "Recursos manipuláveis facilitam a compreensão, principalmente em conteúdos mais abstratos", afirma. Além disso, a divisão das tarefas em etapas menores e a oferta de pausas planejadas também contribuem para a manutenção da atenção. "São estratégias que favorecem o engajamento e a aprendizagem", acrescenta. 


A escola também desempenha papel central no desenvolvimento social e na autonomia dessas crianças. Estudos indicam que o ambiente escolar é fundamental para a construção de habilidades sociais, interação e convivência . "É na vivência com os colegas que o aluno desenvolve competências essenciais para a vida em sociedade", destaca Lúcia Junqueira.


Segundo a pedagoga, a mediação do professor é essencial nesse processo. "Em atividades em grupo, é possível orientar a participação, trabalhar turnos de fala e incentivar a escuta, contribuindo para o desenvolvimento social", explica. Ela também ressalta a importância de estimular a autonomia no dia a dia. "Organizar materiais, tomar pequenas decisões e participar da rotina são práticas que contribuem para a independência", afirma. 


Outro ponto destacado é a construção de uma cultura inclusiva dentro da escola. "A inclusão se concretiza quando há não apenas acesso, mas participação ativa, aprendizagem significativa e sentimento de pertencimento", completa.


A inclusão começa com informação e compromisso. Valorizar práticas inclusivas e compartilhar conhecimento são passos fundamentais para fortalecer uma educação mais acessível, acolhedora e efetiva para todos.