Dia Nacional da Ciência: pesquisa desenvolvida por alunos de Engenharia Química utiliza ozônio no branqueamento do caldo de cana-de-açúcar
Projeto de iniciação científica busca reduzir o uso de cal no processo de clarificação do caldo de cana-de-açúcar em indústrias sucroenergéticas
Os estudantes do curso de Engenharia Química da Uniube, Ingrid Ribeiro e Luiz Dutra, desenvolveram um projeto de iniciação científica que investiga o uso do ozônio (OU+2083) como alternativa para o branqueamento e a clarificação do caldo de cana-de-açúcar. A pesquisa é orientada pelo professor José Roberto Delalibera Finzer e busca avaliar a eficiência do processo em comparação ao método tradicional, que utiliza cal.
Segundo os alunos, a ideia da pesquisa surgiu a partir da experiência de Ingrid durante um estágio em uma usina sucroenergética. Ao acompanhar o processo industrial, a acadêmica observou a grande quantidade de cal utilizada todos os dias na clarificação do caldo de cana e passou a questionar se seria possível substituí-la por uma alternativa mais eficiente.
"Durante o estágio, percebi que chegavam muitos bags de cal para serem utilizados na indústria. A partir dessa observação, comecei a pensar em alguma alternativa que pudesse exercer a mesma função de clarificação. Com a ajuda do professor Finzer e dos conhecimentos adquiridos no curso, tivemos a ideia de pesquisar sobre o uso do ozônio para essa finalidade", explica Ingrid.
No laboratório, os estudantes iniciaram o trabalho com a moagem da cana-de-açúcar e, posteriormente, realizaram a filtragem do caldo para eliminar fibras que poderiam interferir nas análises físico-químicas. Em seguida, as amostras foram submetidas ao processo de ozonização e comparadas com o método convencional de cal.
Para garantir maior confiabilidade aos resultados, a equipe padronizou os experimentos ao utilizar cana de terceiro corte, após identificar diferenças nos testes realizados com cana-planta e cana de quinto corte.
"Cada etapa do processo é controlada para permitir uma comparação precisa entre os dois métodos. Separamos a amostra em três partes: o caldo bruto, o caldo tratado com ozônio e o caldo tratado com cal. Assim conseguimos comparar, tanto visualmente quanto por meio das análises físico-químicas, como cada processo influencia na clarificação", destaca Ingrid.
Os resultados obtidos pelo grupo já renderam reconhecimento acadêmico. O projeto foi premiado durante o XXVII Seminário de Iniciação Científica (SEMIC) da Uniube, o que reforçou a relevância da pesquisa e o potencial da inovação desenvolvida pelos estudantes.
O professor e orientador José Roberto Delalibera Finzer destaca a importância da iniciação científica na formação dos futuros engenheiros químicos.
"A participação dos estudantes na iniciação científica permite que eles apliquem, desde a graduação, os conceitos fenomenológicos e de engenharia no desenvolvimento de processos. Essa experiência, acumulada ao longo da formação, contribui para preparar profissionais cada vez mais competentes para atuar nas aplicações industriais", conclui.
Pâmela Rita