De reformas a construções, Escritório de Arquitetura da Uniube atende todos os setores

31 de dezembro de 18
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Na sala de número 42, no bloco X da Universidade de Uberaba (Uniube), muitas ideias ganham traços e formas. É neste espaço que funciona o Escritório Modelo de Arquitetura (EMA). O lugar é pequeno, mas de grandes projetos. Daqui saem desenhos que se materializam em laboratórios, salas de aula e administrativas, leitos hospitalares e anfiteatros, além de restaurações, ampliações e reformas. Tudo o que a Uniube, o Hospital Veterinário de Uberaba (HVU) e o Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU) precisam para edificar ou transformar a paisagem.


Criado com um único propósito, o de desenvolver o projeto arquitetônico do HVU para dar suporte pedagógico ao curso de Medicina Veterinária da Uniube, o Escritório Modelo não parou por aí. Com a implementação dos cursos da área da saúde na Universidade — que exigiu a ampliação dos laboratórios de ensino —, o EMA passou a desenvolvê-los. Na lista, a criação dos laboratórios dos blocos H, D, S, X, W, Y e Z; a reforma dos blocos U e V; a adequação dos três anfiteatros do Campus Aeroporto; a ampliação da Reitoria e a reestruturação de toda a área administrativa da universidade.


Na mesma época, foram desenvolvidos os projetos de construção e ampliação das clínicas, no Campus Centro, além de outras unidades ligadas à instituição, como a Fazenda Escola, os Campi de Uberlândia e os Polos da Educação a Distância em diversas cidades. Atualmente, o Escritório Modelo de Arquitetura atende todos os setores da Uniube, MPHU e HVU, via solicitações inseridas no Sistema de Requisição de Materiais e Serviços (RMS).


“A existência do EMA na estrutura interna da Uniube permite uma flexibilização maior no desenvolvimento dos projetos solicitados pelos diferentes setores. As requisições acontecem em número cada vez maior, o que acarreta um grande fluxo de projetos de diferentes portes e complexidades. Terceirizar esses projetos iria implicar um aumento no tempo de resposta dos mesmos”, explica a coordenadora-geral do Escritório Modelo de Arquitetura, professora e arquiteta, Carmem Silvia Maluf.


A estrutura do EMA


Para dar conta da demanda, oito profissionais da Arquitetura e três estagiários atuam no EMA. Os projetos elaborados no Escritório são supervisionados por Carmem e pelas professoras e arquitetas Ana Paula Seabra Marega Zago e Janaína de Melo Tosta. “Todos os projetos seguem nossas diretrizes e orientação. Somos responsáveis pela concepção e definição dos mesmos. No entanto, os projetistas têm liberdade de propor soluções tecnicamente mais pertinentes durante o desenvolvimento dos projetos. A aprovação final de tudo o que é produzido pelo EMA se dá pelo Reitor da Uniube, Marcelo Palmério”, afirma Carmem.


Assim que recebem as solicitações via RMS, a equipe do EMA levanta os condicionantes e as necessidades do cliente para definir as diretrizes a serem adotadas. No caso de adequações em áreas já construídas, é feita uma análise quanto à prioridade do projeto. “Após isso, é feito o contato com o solicitante responsável ou setor interessado para entendimento das necessidades. São feitos, então, os levantamentos físicos dos ambientes, desde dimensões estruturais até mobiliário existente e infraestrutura dos pontos elétricos e hidráulicos instalados”, explica a professora. Segundo ela, o tempo de desenvolvimento de cada demanda oscila de acordo com a complexidade e o tamanho.


Depois de aprovado e desenvolvido, o projeto é encaminhado para o setor de Planejamento e Obras, que distribui as funções relacionadas à execução dele para os setores de Obra e Ampliações ou Manutenção Geral, onde trabalham profissionais, como: eletricistas, encanadores, jardineiros, pintores, pedreiros, serventes, serralheiros, carpinteiros, entre outros. “Existem casos em que outros setores são acionados, como o Núcleo de Informática, responsável pela definição da rede de lógica e instalação de novos pontos, o Patrimônio, responsável pela movimentação do mobiliário, ou o setor de Compras, responsável pela aquisição de itens definidos em projeto. Temos o apoio também da Marcenaria, que desenvolve grande parte do mobiliário, que também é projetado e especificado pelo EMA”, conta.


Projeto premiado


Entre os projetos mais imponentes desenvolvidos pelo Escritório Modelo de Arquitetura, está o MPHU, um hospital geral de ensino, vinculado à Uniube, inaugurado há quase cinco anos. As instalações formam um complexo de oito prédios interligados por passarelas, totalizando 18.500 metros quadrados de área útil construída, destinada aos 220 leitos. O projeto arquitetônico do hospital ganhou prêmio do Instituto de Engenharia do Triângulo Mineiro em 2016.


O novo prédio em Uberlândia


Outro projeto desse porte é o novo Campus de Uberlândia Sul, previsto para ser inaugurado em 2020. “Particularmente, é o projeto que mais me traz satisfação em estar envolvido. Está em fase de obra atualmente, mas tenho participado do desenvolvimento desde minha primeira fase como estagiário dentro do Escritório. Por isso, tenho visto amadurecer e crescer quanto a sua complexidade”, diz o arquiteto Brendo Ramalho Nunes, um dos responsáveis pelo projeto. O novo Campus Uberlândia ocupará uma área de aproximadamente 26 mil metros quadrados.


Orgulho de ser arquiteto


A arquiteta Daniela Cunha Manhezzo começou no Escritório Modelo como estagiária. Ela se orgulha de ter participado de dois projetos em especial. “O EMA me acolheu e me deu oportunidade de crescer e continuar após formada, o que me faz ter dificuldade de escolher apenas um projeto. Mas destacaria dois dos quais participei do desenvolvimento e vi serem construídos: o Mário Palmério e o anfiteatro D56”, destaca.


A arquiteta Luciene Bianchi teve a oportunidade de participar de quase todas as reformas da Instituição. Para ela, os projetos da Biblioteca e Bloco A foram um marco na carreira. “Enquanto estudante de arquitetura vi como um projeto arquitetônico tem grande poder de intervenção em uma edificação ou espaço, que antes se mostrava simples. Tenho orgulho dessa profissão”, afirma.


Para a professora e arquiteta Janaína de Melo Tosta, a criação do Bloco S foi um projeto desafiador. “Tenho dificuldade de desassociar minha vida profissional da Uniube, pois ela foi construída praticamente dentro da Instituição. Tenho orgulho de lembrar do projeto do Bloco S, das disciplinas básicas dos cursos da saúde, talvez por ser um dos primeiros que participei desde a concepção e acompanhei de perto todas as definições durante a obra. Foi um projeto desafiador, por ser uma pré-existência, uma estrutura já estabelecida e que foi se transformando para atender às necessidades dos cursos”, afirma.


A arquiteta Ana Paula Seabra Marega Zago diz ter orgulho de fazer parte do Escritório Modelo. “Eu me orgulho muito, não só dos projetos que participei, mas, principalmente, da equipe que faço parte. Destacar um único projeto é complicado, porque desde uma simples reforma de banheiro até um novo Campus nos empenhamos da mesma forma. Mas o MPHU foi um projeto em que participei da fase intermediária até a final, no que diz respeito ao acompanhamento da execução dos projetos desenvolvidos no EMA. Fase de grande aprendizagem”, destaca.


Na opinião do arquiteto Lucas Tasso Alvarez participar de projetos arquitetônicos educacionais e hospitalares é desafiador e gratificante. Um dos espaços elaborados por ele é o Laboratório de Jogos Digitais, no bloco Y. “A proposta consistia na conversão de duas salas comuns do campus em um laboratório modelo para o emergente curso de Jogos Digitais, que demandava disposição inovadora e adoção de tecnologias condizentes com os tópicos a serem discutidos ali. Assim, o Escritório desenvolveu desde o desenho das mesas que compõem o espaço até a paginação de suas paredes e, assim, criou uma sala que, acima de tudo, desafia o modelo habitual de sala de aula aplicado mundo afora”, conta.


Para Carmem Maluf, novos projetos e desafios tornam a profissão mais cativante. “Trabalhar com a realização de sonhos e utilizar a beleza, a estética e a tecnologia como aliadas na construção dos espaços alimenta nossa alma e nossa mente. Coordenar e trocar experiências com toda a equipe em diferentes projetos nos faz crescer enquanto profissionais e pessoas. Isso define o orgulho de trabalhar no EMA”, conclui.