Compreender o autismo é essencial para promover inclusão e desenvolvimento
Raíssa Nascimento
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada, na psicologia, por déficits na comunicação e na interação social, além de padrões comportamentais repetitivos. Estudos científicos apontam que intervenções precoces podem promover avanços significativos no desenvolvimento social, comunicativo e adaptativo, especialmente quando iniciadas ainda na primeira infância.
De acordo com a psicóloga e professora da Uniube, Nathalia Lemes, compreender o impacto do TEA no dia a dia é fundamental para promover inclusão e qualidade de vida. "O TEA afeta diretamente áreas como comunicação, linguagem e socialização. Muitas pessoas apresentam dificuldades em iniciar e manter interações, compreender expressões faciais e interpretar pistas sociais, o que pode impactar também o desenvolvimento emocional", explica.
Segundo a especialista, essas dificuldades podem se refletir em desafios para expressar desejos, necessidades e emoções de forma funcional, além de dificultar o compartilhamento de interesses e a construção de vínculos sociais. No campo das intervenções, Nathalia destaca a importância do acompanhamento multidisciplinar. "O tratamento deve envolver diferentes áreas, com objetivos complementares. A Análise do Comportamento Aplicada contribui para o ensino de habilidades e ampliação de repertórios, enquanto a Terapia Cognitivo Comportamental atua na regulação emocional, no desenvolvimento de habilidades sociais e na promoção da autonomia", afirma.
Outras áreas também desempenham papel essencial nesse processo. A terapia ocupacional atua no desempenho das atividades do dia a dia e na integração sensorial, enquanto a fonoaudiologia é fundamental para o desenvolvimento da comunicação e da linguagem. Além das intervenções clínicas, estratégias simples podem ser aplicadas no cotidiano, como o uso de recursos visuais e a organização de rotinas estruturadas, que favorecem a compreensão e a previsibilidade.
A psicóloga também orienta sobre como lidar com momentos de crise. "É essencial garantir a segurança da pessoa, afastando possíveis riscos e reduzindo estímulos. Nesses momentos, o ideal é evitar excesso de comunicação verbal, manter uma postura calma e, se necessário, conduzir para um ambiente mais tranquilo", orienta.
Ela reforça ainda a importância de identificar os fatores que desencadearam a crise. "Compreender os antecedentes, como sobrecarga sensorial causada por barulhos ou ambientes agitados, permite prevenir novas ocorrências e adaptar o ambiente às necessidades da pessoa", completa.
Para Nathália Lemes, o acesso à informação é um dos principais caminhos para a inclusão. "Quando as famílias entendem o TEA, conseguem oferecer um suporte mais adequado e contribuir de forma efetiva para o desenvolvimento emocional e social", destaca.
A informação gera acolhimento e reduz o preconceito. Busque orientação profissional e compartilhe esse conteúdo para ajudar mais famílias a entender e apoiar pessoas com TEA.