"Amizade Compatível" realiza evento on-line de conscientização sobre a anemia falciforme

29 de março de 21
1 / 3
2 / 3
3 / 3

O Programa de Extensão "Amizade Compatível", da Universidade de Uberaba (Uniube), promoverá evento especial para o Dia Estadual da Conscientização da Síndrome da Anemia Falciforme. A ação será on-line, no dia 29 de março, pela plataforma do Google Meet, a partir das 18h, e contará com a participação da digital influencer Aline Guetti, além de associados da Associação Regional dos Falcêmicos (ARFA). As inscrições podem ser feitas pelo uniube.br > extensão. 


Segundo a coordenadora do Programa e Projetos de Extensão, professora Maria Theresa Cerávolo Laguna Abreu, o evento tem o objetivo de divulgar a anemia falciforme e o contexto no qual a doença está inserida.


O evento em comemoração ao Dia da Conscientização da Síndrome de Anemia Falciforme já é realizado há alguns anos pelo Programa de Extensão "Amizade Compatível", em parceria com a ARFA. No entanto, a coordenadora Maria Theresa conta que esta será a primeira vez que o evento receberá uma convidada de fora, que tem vivência sobre o assunto para abordar com os alunos. "Este ano, pela possibilidade de realização deste evento de forma remota, pela primeira vez, vamos escutar um relato de uma paciente que fez transplante de medula óssea. Apesar de não ser de nossa região, irá contribuir para esta divulgação", explica Maria Theresa.


A convidada Aline Guetti é da cidade de São Paulo e venceu a anemia falciforme em 2019, aos 24 anos, após ter compatibilidade de 100% com seu irmão, Raphael, e receber a doação de medula óssea dele. "Aos 3 anos de idade eu tive uma Crise Vaso-Oclusiva (CVO), sentia muitas dores pelo corpo todo. Meus pais não sabiam o que era e então me levaram para o pronto-socorro. Lá, o médico de plantão informou aos meus pais que eu estava tendo uma crise de dor por conta do apêndice e me encaminhou para o cirurgião, que me avaliou, pediu exames e me encaminhou ao hematologista, pois ele sabia que não tinha nada a ver com apêndice. Foi então que recebi o diagnóstico de Anemia Falciforme SS. Ele foi duro nas palavras, disse que a doença não tinha cura e que eu não viveria por muito tempo. Foi um choque para toda a família. Dali em diante iniciei o tratamento até os 24 anos, quando realizei o transplante de medula óssea", conta.


Em suas redes sociais, Aline usa o bom humor para contar a experiência após tudo o que passou com a doença. Para ela, compartilhar o dia a dia da rotina no hospital fez a situação se tornar "mais leve". Hoje, aos 26 anos, a paulistana conta com mais de 18 mil seguidores no Instagram.


"Sou uma pessoa extrovertida de natureza, então, quando entendi a gravidade do meu problema, tive duas opções: me afundar nesses problemas ou me levantar e ser mais forte do que eles. Saber que terá que lidar com uma doença grave pode ser muito difícil, nem todos reagem da mesma maneira e algumas reações podem, inclusive, piorar o quadro. Acredito que existem diversas maneiras de lidar com um problema. Você pode fazer dele pior do que já é, ou pode escolher aprender a lidar com aquilo. Eu aprendi que minha doença não era um problema na minha vida, ela poderia, sim, me limitar em alguns aspectos, mas nunca me impedir de realizar os meus planos. Em meus vídeos, eu sempre tento trazer leveza na forma de falar, conto minhas experiências com a doença de uma forma engraçada e acredito que, dessa forma, eu consigo alcançar diversas pessoas, tanto aquelas que têm a doença, quanto quem nunca ouviu falar e se interessa em saber", compartilha.


Já para Maria Theresa, levar uma palestrante jovem para o evento de conscientização da Síndrome de Anemia Falciforme sensibiliza os alunos e os deixam mais conscientes do assunto. "A fala de uma palestrante jovem que vivenciou a doença por quase 25 anos e agora está curada faz com que o aluno se identifique com o relato, além de trazer a importância do conhecimento dos profissionais de saúde para a cura de uma doença muito difícil de conviver", conta a coordenadora.


A digital influencer adianta que na participação do evento no dia 29, ela irá falar aos alunos e futuros médicos sobre a necessidade de ter empatia com os falcêmicos "A única coisa que peço encarecidamente é que respeitem os pacientes com anemia falciforme, nos tratem com respeito, com amor, peço que não duvidem de nossa dor, que tenham empatia, dedicação, cuidado, tenham sentimento, envolvimento, comprometimento e, acima de tudo, que vocês nunca se esqueçam do juramento feito na Medicina", declarou.


Além da Aline Guetti, a ação contará também com a participação das palestrantes, Maria Conceição Rosa Vilela e Viviane Sueli Cristino, representantes da ARFA.